Christy: Um Novo Round

Título original: Christy

Direção: David Michôd

Ano de lançamento: 2025

Data de estreia no Brasil: 07/11/2025

Gênero:

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

2

/5

O filme Christy: Um Novo Round foi lançado nos cinemas no mercado norte-americano. Mas, no Brasil, foi direto para o streaming na HBO Max. Com Sydney Sweeney no papel principal, esta cinebiografia acompanha a carreira e a vida da boxeadora Christy Martin.

Christy nasceu e foi criada em West Virginia, numa família extremamente conservadora. Principalmente a sua mãe, cuja intransigência empurra a filha para uma armadilha da qual custará para escapar. Isso fica evidente na primeira cena, quando Christy chega em casa e a mãe a repreende porque ouviu boatos de que a filha tem uma namorada.

Após romper o namoro, Christy se muda para Tennessee, onde começa sua carreira no boxe, treinada por Jim Martin. No início, ele não se interessa muito por essa tarefa, pois o boxe feminino não era valorizado. Mas, percebe um talento especial nela, além da sua abstinada dedicação. Ele estava certo, e as primeiras lutas provam isso, para surpresa da própria Christy, que vence as lutas com uma expressão atônita e feliz.

Em 1995, Christy e Jim arriscam um salto na carreira. Mudam-se para Daytona Beach, onde se casam. Porém, as lutas não pagam o suficiente para sustentá-los. O marido, então, diz que ela não ganha dinheiro porque não faz o que ele pediu. O que se segue é uma cena bizarra. Jim leva Christy para um daqueles motéis americanos para ela lutar com um homem e cobra por isso. Se não se trata de um eufemismo do filme para prostituição, e não há indícios de que seja, é um fetiche dos mais estranhos.

O sucesso fugaz

Forçando a barra, Jim consegue uma reunião com Don King. Christy construiu para si uma atitude atrevida, que desperta a atenção do megaempresário do boxe. Começa, assim, o caminho para a fama de Christy. Em seu primeiro desafio, ela participa de uma das lutas de abertura para Mike Tyson, a grande atração da noite. Ela treme de nervoso nos vestiários antes de subir ao ringue, mas lá em cima se controla e sai vencedora. A música que acompanha essa sequência é um coro religioso que remete à ideia de que parece um milagre terem chegado ali.

O filme conduz bem essa trajetória ascendente da protagonista. Porém, não inova muito em relação aos tradicionais filmes de esporte. E não se estende na fase de sucesso. Desse momento em diante, entra o drama da violência doméstica, mas sem empolgar tanto. A primeira agressão acontece no ringue, disfarçada de treino, quando Jim acerta um golpe sua esposa porque ficou enciumado ao vê-la conversando animadamente com o vizinho.

Uma elipse temporal de oito anos catapulta a história para 2003. Christy já é considerada uma veterana. O enredo não explica os motivos de ela arriscar subir de categoria de peso, mas ela se prepara para enfrentar uma adversária de 72kg, enquanto o peso dela é de 65kg, que ela disfarça na pesagem da competição com moedas nos bolsos (o que parece bem fantasioso). Outro episódio de violência acontece quando ela sugere a Jim que precisa de um outro treinador. Mas, a pancadaria fica fora do quadro e não soa tão ofensiva quanto deveria. Além disso, o filme ainda deixa em dúvida se isso acontecia com frequência. Na luta, Christy leva uma surra da adversária, e chora em cima do ringue, o que também soa esquisito, pois se trata de uma boxeadora profissional.

O fundo do poço

Um novo salto no tempo leva para uma fase de total decadência, em 2010. Tanto Jim quanto Christy usam cocaína. Depois de uma agressão, Christy desabafa para a mãe, mas esta, conservadora e preconceituosa, ignora. Posteriormente, quando Jim chega às vias criminosas, a encenação ruim lembra recriação de eventos de programas de true crime. Sem drama, sem suspense e com uma música sinistra sufocante que cansa. O filme poderia terminar aí, mas ainda se estende para mostrar a confrontação com a mãe, a reaproximação com a antiga namorada e a condenação de Jim. Tudo muito burocrático, sem aproveitar o potencial emocional desses eventos.

Christy: Um Novo Round serve como pedágio obrigatório para a carreira em ascensão de Sydney Sweeney. Ela muda o seu visual para ficar mais feia, quase irreconhecível com cabelos pretos curtos e com quilos a mais, transformação física pela qual todo ator passa em algum momento. Sua atuação convence como a jovem que se surpreende ao encontrar no boxe seu talento natural. Mas, salta dessa ingenuidade singela para uma não condizente atitude de deboche com as adversárias, e depois para o choro infantil ao perder a luta na categoria mais pesada. Não ganhará um Oscar, como aconteceu com Charlize Theron ao passar por esse processo em Monster: Desejo Assassino (2003). Porém, não é culpa da atriz, pois ela segue as orientações do diretor David Michôd, que faz aqui um filme de boxe razoável, mas fraco como drama sobre violência doméstica.

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Ficha técnica:

Christy: Um Novo Round | Christy | 2025 | 135 min. | Estados Unidos | Direção: David Michôd | Roteiro: Mirrah Foulkes, David Michôd | Elenco: Sydney Sweeney, Ben Foster, Merritt Wever, Katy O’Brian, Ethan Embry, Chad L. Coleman.

Distribuição: HBO Max.

Onde assistir:
Sidney Sweeney em "Christy: Um Novo Round"

Outras críticas:

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