Elvis Não Morreu

Título original: Elvis

Direção: John Carpenter

Ano de lançamento: 1979

Gênero: , ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

3.5

/5

O segundo filme que John Carpenter dirigiu para a televisão foi este Elvis Não Morreu. Rodado pouco mais de um ano após a morte de Elvis Presley (08/01/1935-16/08/1977), este longa de quase três horas de duração conta a história do cantor até o dia 26 de julho de 1969. Era a noite em que ele voltaria a se apresentar num palco ao vivo depois de nove anos.

Fazendo jus à carreira de John Carpenter, esse retorno está carregado de suspense. Elvis vinha recebendo ameaças anônimas, e um bilhete recente aponta a possibilidade de um atentado contra a sua vida nesta apresentação em Las Vegas. Então, o flashback que engatilha a cinebiografia poderia representar aquela revisita derradeira de um homem prestes a morrer. Como a história viria a mostrar, nenhum atentado aconteceu e, como afirma o espirituoso título nacional, Elvis não morreu naquela noite.

O filme de John Carpenter segue o padrão cronológico das biografias. Começa em 1945, na infância de Elvis no Mississipi, quando ele ganha um violão como presente de Natal, para seu desgosto, pois ele queria uma bicicleta. Mas, o instrumento, e a música em si, o ajudariam a vencer a insegurança que ele sentia por ter perdido um irmão gêmeo. Durante a infância e adolescência ele foi alvo de atos de bullying. Isso muda quando ele se apresenta no festival da escola e a plateia adora.

Embora seja impossível dissociar a carreira e a vida pessoal do cantor, esta cinebiografia procura humanizar Elvis. Ao invés de ser uma sucessão de ensaios e apresentações (embora esses trechos existam e ocupem bastante tempo do filme, sempre com Kurt Russell com a voz dublada por Ronnie McDowell), o que mais importa são os efeitos que essa trajetória singular provoca nele.

Mais um bom filme para a TV

Já no início, as longas viagens o fazem perder a namorada (vivida por Melodie Anderson). Esse mesmo motivo o separaria de Priscilla Presley (papel de Season Hubley), assim como o deixaria tão estressado a ponto de brigar com todo mundo da sua equipe (entre eles, Joe Mantegna em começo de carreira). O filme escancara que as letras das músicas de Elvis dessa época refletem esses problemas. A relação especial de muito amor com a mãe (Shelley Winters) também ganha bastante espaço no enredo.

A extensão longa do filme resulta da enorme quantidade de eventos importantes que aconteceram na trajetória de Elvis. Mesmo apresentando tanta coisa, por causa da intenção de revelar quem era essa pessoa por trás da fama, parece que sua vida não cabe num filme só. E o próprio Elvis chega a essa conclusão na última sequência. Depois de se despedir da filha como se fosse pela última vez, ele sobe ao palco para o que der e vier, receoso de ser morto no palco. Após cantar duas músicas, já seguro de que nada iria a acontecer, o filme conclui com sua imagem congelada no lado esquerdo da tela. Enquanto isso, no lado direito, aparece uma montagem com momentos de sua vida, ao som de “An American Trilogy” na parte da sua letra que diz “Glory, Glory, Hallellujah”, revelando o seu alívio e celebrando suas conquistas.

Assim como fez em Alguém Me Vigia (1978), John Carpenter comprova aqui novamente que é possível fazer filmes bons para a televisão. Contou, desta vez, com uma ótima escolha de elenco, a começar por Kurt Russell, ator com quem viria a trabalhar num total de cinco filmes.

___________________________________________

Ficha técnica:

Elvis Não Morreu | Elvis | 1979 | 170 min. | Estados Unidos | Direção: John Carpenter | Roteiro: Anthony Lawrence | Elenco: Kurt Russell, Robert Gray, Shelley Winters, Season Hubley, Pat Hingle, Bing Russell, Melody Anderson, Ed Begley Jr., Charles Cyphers, Joe Mantegna, Ellen Travolta.

Onde assistir:
Kurt Russell em "Elvis Não Morreu" (1979)

Outras críticas:

Rolar para o topo