A experiente diretora polonesa Agnieszka Holland, indicada ao Oscar de roteiro adaptado por Filhos da Guerra (Europa Europa, 1990), se desafia a filmar a cinebiografia do complexo escritor Franz Kafka (1883-1924). Procurando aproximar a forma do tema abordado, como fez nos recentes O Charlatão (2020) e Zona de Exclusão (2023), ela se apropria do fantástico e do surrealismo para retratar a vida e a mente do escritor tcheco autor de O Processo e A Metamorfose, entre outros.
Dentro da mente de Kafka
Assim, caracteriza o ilógico e o incompreensível de suas obras montando o filme com uma edição frenética que utiliza muitos planos curtos em encenações muitas vezes incompreensíveis. Personagens quebram a quarta parede para direcionar suas falas ao espectador. Cenas de violência e absurdas ilustram passagens de seus livros. Esse estilo intenso chega a sufocar, e basicamente dão alívio somente nas cenas em que Kafka não está presente, quando revelam com um realismo maior o que acontece com as pessoas com que o escritor conviveu.
O filme procura explicar as origens do existencialismo kafkaniano. Assim, aponta como causa da sensação de punição imotivada o comportamento do pai, um empresário grotesco que desprezava o trabalho do filho. Em muitos momentos, Kafka assume a posição de mártir diante das situações da sua vida, o que faz desse personagem uma pessoa extremamente triste e sofrida.
Nem tudo funciona nessa narrativa. Os trechos contemporâneos com turistas visitando alguns lugares que marcaram a vida de Kafka são desvios desnecessários, parecem servir apenas para reforçar o reconhecimento do escritor. As citadas cenas mais concretas – por exemplo, a tristeza do pai quando Kafka morre e o assassinato da irmã no holocausto – tampouco enriquecem o filme, e contribuem para que o filme pareça demasiadamente extenso.
Por mais sufocantes que sejam, os trechos viajantes são os que mais prendem a atenção. Se Agnieszka Holland tivesse optado por construir um filme enxuto somente neste estilo, Franz seria bem mais envolvente.
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Ficha técnica:
Franz | 2025 | 127 min. | República Tcheca, Polônia, Alemanha, França, Turquia | Direção: Agnieszka Holland | Roteiro: Marek Epstein | Elenco: Idan Weiss, Peter Kurth, Jenovéfa Boková, Ivan Trojan, Katharina Stark, Sandra Korzeniak, Sebastian Schwarz, Aaron Friesz, Carol Schuler, Gesa Schermuly, Josef Trojan, Jan Budar.
Distribuição: A2 Filmes.








