O primeiro Mad Max é também a estreia em longa ficcional do diretor George Miller. É um pequeno filme B, um típico Ozploitation (filme de exploitation australiano, repleto de violência, ação e nudez), característica que se perderia cada vez mais nas sequências, devido ao sucesso crescente da franquia. Por isso, o espectador que partir da experiência de Mad Max: Estrada da Fúria (2015) e Furiosa: Uma Saga Mad Max (2024) terá um choque ao ver como a saga começou assim tão visceral.
A trama impacta pela sua expectativa dura, principalmente para o público da época do lançamento, porque a história não acontece num futuro apocalíptico. Como indica a cartela no início, o enredo se passa a apenas alguns anos do presente. Portanto, retrata uma visão pessimista e radical do que seria a Austrália em pouco tempo, diante da violência que aumentava nas regiões desertas, por conta das gangues de motociclistas.
No filme, a turma de arruaceiros liderada por Toecutter (Hugh Keays-Byrne) aterroriza o Outback. Em suas motos, eles provocam acidentes, roubam, matam e estupram os moradores locais. Não temem nem a polícia, de quem até tomam seus carros V8 envenenados. Mas, nessas terras devastadas, os policiais também parecem loucos. A primeira sequência mostra uma emocionante perseguição de carro entre policiais ensandecidos atrás de desordeiros alucinados que roubam um veículo da frota deles. Esses bandidos levam a melhor, até que entra em ação Max (Mel Gibson, em seu segundo longa), um policial sensato e que se mostra bem eficaz nessa operação.
Velocidade máxima
As cenas de ação, filmadas com veículos pilotados em alta velocidade por dublês que se chocam e capotam, ao lado de explosões reais, são de arrepiar – ainda mais com a maluca ideia de colocar um bebê caminhando inocentemente pela estrada. O diretor George Miller inicia sua carreira acelerando fundo, já provando o seu valor.
O filme não deixa dúvidas sobre o caráter hediondo desses motociclistas. Após aterrorizarem uma pacata vila, perseguem um casal que foge de carro e submetem os dois jovens a uma extrema violência, incluindo o estupro de ambos. Max e seu colega Jim Goose (Steve Bisley) encontram essas vítimas e prendem um dos membros da gangue de Toecutter. Mas, depois Goose será cruelmente assassinado por esses malfeitores.
Max, preocupado com a sua esposa Jessie (Joanne Samuel) e seu filho bebê, decide se afastar. Porém, quando Jessie vai a uma sorveteria sozinha com o filho, topa com a gangue de Toecutter. Ao fugir deles, arranca a mão de um dos motoqueiros, que a procurarão até o fim, castigando-a e o bebê com a morte. George Miller, desta vez, demonstra talento para o suspense, na tensa cena em que Jessie vai à praia sozinha e depois é perseguida pelos bandidos. Agora, um Max enlouquecido de vingança pelo assassinato de três pessoas queridas, parte com tudo atrás de Toecutter e seu bando.
Ação cinematográfica
A trilha musical composta por Brian May (que não é o guitarrista do Queen) soa pomposa demais, quando uma composição mais sombria acrescentaria mais tensão ao filme (que já é bem tenso). Se esse aspecto extrapola, o figurino acerta em cheio, pelo uniforme de couro de Max e pelas roupas de maltrapilhos da gangue de motociclistas, referências que seriam mantidas nos dois filmes seguintes. O cenário desértico com estradas vazias forma o cenário perfeito para esta história que se passa numa terra quase sem lei.
A violência está por todo lado. Causa tensão por conta da presença ameaçadora de Toecutter em contraponto com os moradores indefesos. As perseguições em alta velocidade em estradas impróprias para isso provocam acidentes fatais, mas a violência maior está na crueldade psicopata dos agressores. E, esse ambiente onde só sobrevivem os mais brutos transforma o sensato Max em Mad Max, um vingador sádico, capaz de propor uma solução de fuga tão dolorosa que parece ter inspirado o roteiro de Jogos Mortais (2004). Com exceção desse último ato furioso, entregue com declarações desumanizadas, a vingança acontece sem o uso de palavras, da maneira mais cinematográfica possível.
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Ficha técnica:
Mad Max | 1979 | 88 minutos | Austrália | Direção: George Miller | Roteiro: George Miller, James McCausland | Elenco: Mel Gibson, Joanne Samuel, Hugh Keays-Byrne, Steve Bisley, Tim Burns, Roger Ward.
Distribuição: Warner Bros. Pictures.








