O Convite

Título original: The Invite

Direção: Olivia Wilde

Ano de lançamento: 2026

Data de estreia no Brasil: 09/07/2026

Gênero: ,

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

4

/5

Depois de Fora de Série (2019) e Não Se Preocupe, Querida (2022), Olivia Wilde dirige mais um ótimo filme, o inteligente O Convite. Os roteiristas Will McCormack e Rashida Jones, que também são atores como Wilde, adaptam o longa Sentimental (2020), do espanhol Cesc Gay, e o resultado é uma comédia adulta que consegue falar sobre casamento e sexo com ousadia e rara maturidade.

Por ser uma narrativa centrada em apenas quatro personagens dentro de um único cenário – um apartamento – a escolha do elenco possui importância crucial. E os atores de O Convite são ideais para formar um grupo em que cada um possui características claramente distintas entre si.

A própria Olivia Wilde interpreta Angela, esposa de Joe, que é vivido por Seth Rogen. Eles recebem para jantar os vizinhos que moram no apartamento de cima, Piña e Hawk, vividos por Penélope Cruz e Edward Norton. Angela tomou a iniciativa de convidá-los para se conhecerem, mas sem pedir a opinião de Joe, que é contra a ideia e, no início do encontro, não esconde a sua insatisfação. Porém, ele não é o único a exacerbar em sua franqueza. Os outros três tampouco sustentam a polidez social por muito tempo.

O filme alterna habilmente o tom, numa dinâmica que nunca deixa o espectador indiferente. Antes da chegada dos convidados, Joe e Angela discutem duramente. O violoncelo estridente na trilha musical funciona como um termômetro da tensão entre eles. A verborragia se intensifica e descamba para a agressões verbais. O clima sufocante atinge o espectador, que também sofre como se estivesse no meio do entrevero. A campainha que anuncia a chegada de Piña e Hawk soa como um alívio para todos.

Máscaras sociais

A visita entra no apartamento e Angela se comporta como uma gentil anfitriã. Joe, pelo contrário, exibe ainda resquícios da briga interrompida, e age com rispidez. Hawk retribui com cinismo, elogiando a franqueza do vizinho. Piña, por sua vez, é diretamente sincera ao avisar que não come nada que Angela preparou para o jantar, pois é vegana. E assim se desenvolve o humor nervoso que predomina no filme, suportado pelos diálogos precisos que constroem esse tom difícil de se atingir.

O filme varia o seu tom em ondas. Passa pela comédia refinada, pelo humor pesado, pelo drama de relacionamento. Quando o assunto sexo entra na conversa, inteligentemente prova que a ousadia não precisa descambar para a baixaria. Já o humor físico, a cargo de Seth Rogen, destoa do restante do filme. O drama também tem espaço, não só na briga entre Joe e Angela, pois alcança a sequência de terapia de casal comandada por Piña, seguida pela exposição de motivos de desentendimentos dentro de ambos os casais.

A direção de Olivia Wilde

Novamente, a direção talentosa de Olivia Wilde se destaca. A abertura é magistral. Apresenta o protagonista Joe com tanta clareza que quando sua esposa Angela o acusa na parte final o público é capaz de confirmar as suas palavras. Na primeira cena, ele aparece sentado sozinho na plateia de um auditório, onde ele acompanha sem entusiasmo o ensaio da orquestra de seus alunos. Perde-se em flashbacks de momentos felizes com Angela no passado quando ainda estavam apaixonados um pelo outro. Durante os créditos iniciais, a tela dividida mostra suas dificuldades para retornar para casa de bicicleta, pois ele mora na íngreme San Francisco, em paralelo com o que Angela faz no apartamento deles.

Espelhos em várias cenas indicam que os personagens possuem seus duplos – nenhum deles tem apenas uma faceta. No caso, a máscara social esconde os problemas que os atormentam, bem como seus prazeres secretos. Além disso, os espelhos simbolizam a necessidade de olharem para si mesmos para se conhecerem melhor. Isso fica explícito quando Hawk pergunta a Angela se ela se enxerga como uma pessoa atraente, e também quando ela disseca o sentimento que paralisa o seu marido.   

Os enquadramentos são bem pensados para reforçar a narrativa. Por exemplo, na sequência em que os recém-chegados convidados conversam com os anfitriões que estão de frente um para o outro simetricamente encostados na mesma posição em paredes opostas.

O uso do silêncio merece destaque numa das últimas cenas. Depois de tanta falação durante todo o filme, a ausência de som impacta e enfatiza o momento de lucidez, quando Joe e Angela finalmente refletem sobre tudo o que vivenciaram nessa noite. Essa pausa é essencial para que o desfecho não pareça emocionalmente apelativo demais.

Conclusão

O Convite é uma rara comédia para adultos, assim classificada não pelo conteúdo sexual, mas pela maturidade com a qual trata os assuntos abordados. Mais uma demonstração de qualidade do cinema autoral de Olivia Wilde.

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Ficha técnica:

O Convite | The Invite | 2026 | 107 | Estados Unidos | Direção: Olivia Wilde | Roteiro: Will McCormack, Rashida Jones | Elenco: Seth Rogen, Olivia Wilde, Penélope Cruz, Edward Norton.

Distribuição: O2 Play.

Trailer:

Onde assistir:
Seth Rogen e Olivia Wilde em "O Convite" (divulgação/O2 Play)

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