Peter Jackson dirigira seis filmes entre 1987 e 1996 antes de assumir a colossal adaptação dos três livros da obra de J.R.R. Tolkien, publicados em 1954 e 1955. A trilogia acompanha os volumes. O primeiro é este, O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel, que apresenta os personagens principais e o universo onde estão inseridos.
O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel começa explicando o poder do anel forjado por Sauron para conquistar a Terra Média. Esse objeto acabará nas mãos do hobbit Bilbo Bolseiro (Ian Holm), e o seu sobrinho Frodo (Elijah Wood) se tornará o improvável responsável por levar o anel à Montanha da Perdição para destruí-lo. Ele é o encanto principal desta saga, porque o herói é um pequeno hobbit. E esse detalhe só tem o significado que tem por conta da exaustiva dedicação ao retrato da comunidade hobbit e que justifica o filme ser tão longo.
Similar afirmação vale também para a construção dos personagens principais. Todos possuem características próprias que os individualizam e lhes dão solidez. Frodo é o mais humano de todos. Ele é íntegro, mas precisa resistir à sedução do anel. Os outros hobbits que o acompanham na jornada são o leal amigo Sam (Sean Astin), o valente Merry (Dominic Monaghan) e o atrapalhado Pippin (Billy Boyd), o alívio cômico da trama. Além do mago Gandalf (Ian McKellen), que caminha em paralelo como oponente de Saruman (Christopher Lee), Frodo conta com guerreiros de diversos povos: Boromir (Sean Bean) e Aragorn (Viggo Mortensen), representando os Homens, o elfo Legolas (Orlando Bloom) e o anão Gimli (John Rhys-Davies).
O início da jornada
Nessa primeira parte da trilogia, o objetivo principal é estabelecer os personagens e a história do Anel. Por isso, o ritmo é mais lento – sensação que se intensifica na terra de Galadriel (Cate Blanchett). Entre as cenas de ação, se sobressai a sequência nas minas, que trazem o tom de aventura dos filmes de Indiana Jones. Contudo, Peter Jackson mostra que não é um especialista nessas cenas. Em muitos combates, recorre à câmera lenta para filmar os golpes, esvaziando a adrenalina desses momentos. Jackson enfrenta, às vezes bem outras vezes não, a dificuldade de mostrar na tela o tamanho diminuto dos hobbits em comparação com os demais personagens. Quando ele utiliza crianças no lugar desses personagens pequenos, causa certa estranheza. Por outro lado, os planos gerais que filmam de longa distância os personagens se locomovendo em meio à vasta (e belíssima) paisagem da Terra Média, consegue um efeito encantador – e que remete a antigos clássicos do cinema de aventura.
A conclusão de O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel deixa o espectador surpreso por ter acompanhado, por tanto tempo, esse longo percurso de Frodo e seus companheiros sem perceber que se trata apenas do início da grandiosa missão do protagonista. E, dali para frente, ele precisa enfrentar sozinho, acompanhado apenas de Sam, todos os enormes desafios que o separam do seu objetivo: a Montanha da Perdição.
Por fim, vale notar que a versão lançada no cinema em 2001 tem 2 horas e 58 minutos de duração, o que já é longo. No ano seguinte, saiu uma versão estendida, de 3 horas e 49 minutos (sendo 27 minutos só de créditos finais!).
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Ficha técnica:
O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel | The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring | 2001 | 178 min. (versão de cinema) 229 min. (versão estendida) | Nova Zelândia, Estados Unidos | Direção: Peter Jackson | Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson | Elenco: Elijah Wood, Ian McKellen, Viggo Mortensen, Sean Astin, Liv Tyler, Billy Boyd, Dominic Monaghan, Orlando Bloom, John Rhys-Davies, Ian Holm, Christopher Lee, Hugo Weaving, Cate Blanchett, Sean Bean, Andy Serkis.
Distribuição: Warner Bros.



