Dia D

Título original: Disclosure Day

Direção: Steven Spielberg

Ano de lançamento: 2026

Data de estreia no Brasil: 11/06/2026

Mais informações na ficha técnica abaixo do texto

Avaliação:

3.5

/5

Dia D: Spielberg filma sci-fi com espírito dos anos 1950.

A década de 1950 produziu clássicos eternos da ficção-científica reverberando o trauma do lançamento das bombas atômicas no Japão em 1945 e as especulações no Caso Roswell sobre uma suposta queda de uma espaçonave no Novo México em 1947. Os filmes do gênero embalavam manifestações pacifistas diante do risco iminente da extinção da humanidade por meio de uma guerra nuclear e levantavam questões sobre a possibilidade de vida em outros planetas.

Ao lançar Dia D, o cineasta Steven Spielberg parece entender que a Terra novamente corre o risco de aniquilação total. A premissa pacifista do seu novo filme se aproxima daquela de O Dia em que a Terra Parou (The Day the Earth Stood Still, 1951), de Robert Wise, no qual os extraterrestres dão um ultimato para que os terráqueos cessem todas as guerras. Spielberg critica diretamente a polarização que atualmente contamina as pessoas. Nesse sentido, os alienígenas transferem à protagonista Margaret (Emily Blunt) o poder da empatia, expressamente afirmada como a força que pode salvar o planeta.

Ao resgatar a antiga mensagem da paz como uma necessidade contemporânea, Spielberg aposta que o espectador assista ao filme imbuído do espírito da Década de Ouro da Ficção-Científica. Ou seja, que encare com naturalidade soluções simplistas – entre as quais a cena em que Margaret, uma das escolhidas pelos alienígenas, desarma e controla os seus oponentes com o poder da empatia através de seu olhar. Outras ideias soam igualmente singelas, talvez demais para nosso tempo. Por exemplo, o artefato que controla mentes a ponto de induzir a invisibilidade, e que também produz energia.

Correria

Para que o público aceite sem analisar muito tais investidas que beiram a ingenuidade, o filme investe numa narrativa frenética, repleta de ação. Portanto, é o oposto do contemplativo Encontros Imediatos do Terceiro Grau (Close Encounters of the Third Kind, 1977), a primeira sci-fi de Spielberg como diretor profissional. De fato, Dia D começa como se fosse um thriller de espionagem. O Dr. Daniel Kellner (Josh O’Connor) roubou pendrives com dados sigilosos mantidos pela ONG Wardex, onde trabalha, e a entidade o está perseguindo. A primeira cena soa mais bombástica porque acontece durante uma luta livre, e Spielberg capta a visão subjetiva de um dos lutadores. E, posteriormente, há uma eletrizante perseguição de carro que acaba num suspense arrebatador envolvendo um trem.

O conteúdo desses arquivos roubados permanece um mistério durante um tempo, até Kellner o revelar para a sua namorada Jane (Eve Hewson). Só nesse momento o público descobre que se trata de materiais confiscados pelo governo americano que comprovam que extraterrestres estiveram na Terra. Isso, claro, se o espectador não viu o trailer ou outras peças de divulgação do filme, pois todo o enredo se baseia nessa premissa. Kellner diz que se rebelou contra a Wardex ao ver que os extraterrestres eram submetidos a experiências doloridas. Mas, isso é apenas uma das incongruências da trama, pois ele foi escolhido desde criança para desempenhar uma função muito mais importante.

Noah (Colin Firth), o diretor da Wardex, conduz uma perseguição implacável atrás de Kellner. E, também atrás de Margaret, depois que a apresentadora da previsão do tempo no noticiário televisivo fala ao vivo em uma língua não-humana. Esses dois perseguidos não se conhecem e estão localizados em lugares distantes dentro dos Estados Unidos. Assim, a correria da trama acontece em duas situações paralelas, até eles se reunirem e fugirem juntos para se encontrarem com Hugo (Colman Domingo), o líder dos rebeldes.

Falhas na trama

Spielberg criou a história de Dia D e seu antigo colaborador David Koepp escreveu o roteiro. Mas, apesar da vasta experiência dos dois, o enredo apresenta falhas surpreendentes. Muitas delas estão relacionadas à personagem Jane. Na cena do motel, ela simplesmente ignora a reveladora explicação de Kellner, que lhe diz que consegue entender o idioma alienígena porque tem a capacidade de transformá-lo em termos matemáticos. Em seguida, quando os agentes da Wardex chegam ao motel, Kellner entrega o artefato extraterrestre para Jane, o que não faz sentido porque Noah já foi capaz de acessar a mente dela remotamente.

Na parte final, ela aparece no estúdio de televisão e usa o artefato para gerar a energia elétrica necessária, mas soa estranho que ela saiba desse poder. Em suma, fica a impressão de que alguns trechos que explicariam essas lacunas foram descartados no corte final. Quem sabe, daqui a alguns anos, lancem uma versão estendida do diretor, corrigindo esta questão.

Por outro lado, alguns elementos parecem excessivos. Precisava, por exemplo, construir uma réplica da casa de Margaret para ela desbloquear a sua memória de infância tendo um artefato tão poderoso em mãos? E, quanto a Kellner, ele se lembrava disso sem precisar estar em sua antiga casa?

Jane ainda protagoniza uma bizarra cena na qual ela, uma ex-noviça, pergunta à sua mentora no convento se a existência de extraterrestres contradiz a crença em Deus. A resposta que recebe é convincente – “Deus criaria um universo tão imenso para povoar apenas um planeta?”. Mas, esta sequência parece existir porque Spielberg realmente acredita em vida extraterrestre e quer preparar a humanidade para essa verdade.

Final arrebatador

E sua crença é tão forte que o deve ter motivado a construir uma conclusão tão bombástica. Após tanta correria, e alguns tropeços no enredo, Dia D culmina num clímax tocante. O trecho final é, em boa parte, conduzido por uma emocionada apresentadora de TV, que narra com suas próprias palavras as imagens que os protagonistas conseguem, após 79 anos, revelar à população. O material parece muito real, e a escolha pelo visual clássico do extraterrestre é um grande acerto. A típica mise-en-scène spielbergiana, das pessoas olhando atônitas para algo (agora atualizada com a inclusão de olhares voltados para os celulares), aparece aqui em grau máximo.

Se o filme não agradou até então, esse final grandioso resgata a genialidade de Spielberg. Dá para sentir que ele queria muito que essa revelação final fosse verdade. A fala interrompida evita que se repita a mensagem dos extraterrestres; é uma escolha acertada, mas uma pena que as melhores decisões ficaram só para esse final. O diretor vinha de dois ótimos filmes, a refilmagem Amor, Sublime Amor (West Side Story, 2021), e o autobiográfico Os Fabelmans (2022). Irregular, Dia D tem alguns bons momentos, principalmente o final, mas depende que o espectador esteja aberto a certas singelezas.

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Ficha técnica:

Dia D | Disclosure Day | 2026 | 145 min. | EUA | Direção: Steven Spielberg | Roteiro: David Koepp | Elenco: Emily Blunt, Josh O’Connor, Colin Firth, Eve Hewson, Colman Domingo, Wyatt Russell, Henry Lloyd-Hughes, Michael Gaston, Elliot Villar, Tommy Martinez, Patricia Conolly, Noah Robbins, Chavo Guerrero Jr., Lance Hoyt, Brian Button, Gabby Beans.

Distribuição: Universal Pictures.

Trailer:

Onde assistir:
Josh O'Connor em "Dia D"
Josh O'Connor em "Dia D"

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